sexta-feira, maio 13, 2005

Pobre país pobre

-- Ténis para jogar ténis?
-- Sim, eu sei que soa mal mas percebe o que quero dizer, não é?
-- Claro, mas não temos?
-- Não têm? Mas então...?
--Experimente na Sport Zone. É que sabe, o ténis não é um desporto muito...

Este diálogo teve lugar entre mim e um assistente de uma loja dita de desporto no Centro Coimercial Colombo. Antes disso já tinha virado o Vasco da Gama (três modelos de ténis distribuídos entre a loja da Nike e a Sport Zone); o Olivais Shoppping (ah, temos os Adidas Stan Smith [nota: modelo com trinta anos e mais apropriado para passear]) e finalmente o Colombo onde apenas na Sport Zone (e isto inclui a Foot Locker) encontrei alguns modelos, quatro, para ser preciso, e apenas em alguns números. Mais ou menos o mesmo cenário que no El Corte Inglés.

Ok, quem aguentou ler até aqui já se convenceu da frivolidade deste texto. Contudo, não quero aqui falar do drama do menino queque que não conseguia encontrar uns ténis, que hôrrooore!

Não, estou a escrever isto porque nunca tinha sentido tão veementemente o quão terceiro mundista é um país em que se diz que o ténis "é para ricos".

Um par de ténis custa cerca de 50 euros. Uma raquete razoável custa outros cinquenta. Um "pack" de quatro bolas custa cerca de 10 euros. E uma hora num "court" sai mais barato do que uma hora de snooker num qualquer café. Isto é para ricos?

Vivemos num pobre país de pobres...de espírito. Os nossos melhores jogadores de ténis flutuaram algures nos Top 200 mundial. Tivemos um número um de juniores, Cunha e Silva, que aos 18 anos era um ano mais velho que o campeão de Wimbledon da altura, um tal Boris Becker.

Entretanto, acabo de escrever o perfil de Rafael Nadal, um jovem de 18 anos que é o grande candidato a ganhar Roland Garros e a, em breve, ocupar o topo do "ranking" ATP. Ah, e é espanhol. Uma realidade tão próxima no mapa e, no entanto, tão irremediavelmente distante.

Enfim, e isto só me bateu a sério quando quis comprar uns ténis. Incrível.

Em suma:

Viva o país do futebol.

5 comentários:

Anónimo disse...

Primeiro que tudo deixa-me dar-te os parabéns por ao fim de um mês teres encontrado finalmente um assunto que te levou a actualizar o teu blog. Quanto à relevância do mesmo, isso já é outra discussão.

Não concordo contigo que o nosso país esteja repleto de pobres de espírito porque tiveste o azar de não encontrar os tão desejados ténis para jogar ténis. (já agora um aparte. Uns ténis normais daqueles desenhados para correr ou fitness não servem?) O ténis em Portugal é considerado para ricos porque essa é a imagem que lhe está associada e se essa imagem permanece tem muito a ver com o desfile de queques que todos os anos infesta o Estoril Open,o único torneio de ténis que eu conheço em Portugal. Deixo a responsabilidade de mudar as coisas para quem organiza esses eventos e para quem pertence ao pelouro do desporto. Deixa lá a rapariga da Sport Zone em paz.
Portugal é realmente o país do futebol porque só precisas de uma bola e uns amigos. Enquanto for assim vai ser o desporto de todos. E neste país não é só o ténis que anda mal das pernas. Podemos falar do basquetebol, do andebol e por aí fora. Estás num dos países mais pobres da Europa com pouca cultura de outros desportos fora do futebol. O que é que queres?
Mas se te faz sentir melhor, tendo em conta que o mercado de bens de luxo está em cima quando finalmente te virares para o golfe (o que já não deve demorar muito)decerto que vais ter muito por onde escolher. E muitos campos onde praticar.

Paula

Carlos disse...

Pode não ser do máximo interesse, reconheço, mas isso é tão subjectivo...podia falar de um qualquer gajo giro e aí já achavas mais interessante, digo eu.

Quanto a essa história do pessoal curte jogar à bola porque é mais barato e a cultura desportiva do país não dá para mais, bem, é o comodismo que faz com que isso se eternize.

E, repito, o ténis é para ricos o caraças. Sai mais barato e é mais prático que jogar futebol de onze. E se o Estoril open está cheio de benzocas que não distinguem uma raquete de um remo, isso não é culpa nem dos organizadores e muito menos da modalidade.

Finalmente, golfe...só quando já não tiver pernas para mais nada.

Anónimo disse...

Sim, realmente, os assuntos são extremamente subjectivos, mas se quiseres dedicar-te a escrever sobre rapazes giros terei todo o gosto em ler.
Quanto ao futebol ser sempre o rei da festa concordo contigo que há um comodismo e também uma maior tradição em Portugal. Os jogadores de futebol ganham rios de dinheiro por isso é normal que a sociedade queira investir no que dá dinheiro logo e não num desporto que vai perder muito dinheiro antes de haver resultados concretos.
Quanto ao Estoril Open se os queques não são convidados da organização como é que as criaturas lá aparecem? Se não distinguem um remo de uma raquete que interesse têm num evento desses? Esclarece-me, por favor.

Paula

Carlos disse...

Não se gasta assim tanto dinheiro com o ténis. E quando se gasta a sério, em viagens, treinadores, etc, é porque o gajo já é suficientemente bom para ir a torneios internacionais. E se achas que os futebolistas fazem dinheiro, bem, no ténis issoi nem é argumento.

E os "queques" vão ao Estoril Open a convite de revistas da sociedade ou empresas patrocinadoras que usam alguns "SOCIALITES" para se promover. A Sacoor bros. é o exemplo perfeito. O João Lagos quer lá é jogadores bons e público pagante, que lá vai pelo espectáculo.

Anónimo disse...

sapatilhas...