E então, apresentaram-me isto. E eu creio que estes senhores me abriram as portas para o mund da música adulta. Daquela que, às vezes, até nem é fácil, mas que nos recompensa sempre no final. Como algumas mulheres.
sexta-feira, março 27, 2009
quinta-feira, março 26, 2009
Músicas com que cresci (vol1./ep.3 e 4)
O meu irmão, como milhões de miúdos pelo mundo fora, adorava isto. Era o ritual de passagem das discotecas e a minha apresentação (e repúdio) à música sem mensagem, sem alma. Um enlatado que, pasme-se, diz que hoje em dia é um clássico. De quê?
Eu, entretanto, andava imerso nisto:
Convenhamos que a letra "stranger in a strange land lost and far from home..." dizia algo ao adolescente desenquadrado.
Eu, entretanto, andava imerso nisto:
Convenhamos que a letra "stranger in a strange land lost and far from home..." dizia algo ao adolescente desenquadrado.
quarta-feira, março 25, 2009
Dias...
sexta-feira, março 20, 2009
segunda-feira, março 16, 2009
Animal Selvagem 2
Um dos meus mais recentes posts foi lamentavelmente premonitório: ontem, em Matosinhos, uma criança foi arrastada pelo mar e ainda não encontraram o corpo. Segundo as notícias, um pai estava na praia com três crianças quando uma onda os arrastou. O pai conseguiu resgatar duas mas uma delas, de 4 anos, foi levada.
Simultaneamente, um jovem polaco de 24 anos fo levado por uma corrente e afogou-se em Odeceixe, concelho de Aljezur.
Pois. Amigos, o sol está aí, parece Verão mas tenham cuidado. Tivemos ondulações muito grandes este Inverno e deixaram os fundos de areia das nossas praias muito mexidos e com efeitos muito perigosos. Ao mesmo tempo, o calor que se faz sentir é enganador. Isto ainda é mar de Inverno e temos de ter muito respeito por ele.
A este propósito, especial cuidado para quem vai para a zona da Costa de Caparica. As tempestades de Inverno mais a manipulação de areias pelo homem transformaram aquela zona. Algumas praias que eram seguras tornaram-se belos parques de diversões para os atletas das ondas mas potenciais armadilhas para os banhistas. Falo em especial das faixas de areia conhecidas por Barbas e CDS.
Em todo o caso, para os mais incautos, um conselho: caso sejam apanhados pelo mar, não resistam, descontraiam.
No caso de serem enrolados por uma onda façam o corpo mole e teham apenas o cuidado de proteger a cabeça com os braços. Mantenham-se calmos, esperem o fim da turbulência e só então tentem ir à superfície, rápida mas calmamente.O pânico consome mais oxigénio.
Se forem arrastados por uma corrente para fora e não conseguirem contrariá-la a nadar, não se cansem. Descontraiam, procurem boiar, respirem calmamente e façam gestos de socorro para que alguém vá alertar um nadador-salvador. Nunca, mas nunca tentem salvar ninguém pelos vossos meios, a não ser que estejam num barco ou algum tipo de embarcação. E mesmo assim, antes, alertem o nadador-salvador na praia.
Como dizia O'Neill (o Alexandre, não o Jack), "Há mar e mar..." Vocês sabem o resto.
segunda-feira, março 09, 2009
Músicas com que cresci (vol.1/ep.2)
20 anos; dançando (vagamente) no meio da pista tentando esvaziar copos de absinto com sumo de limão. A corrompida noção de que esvaziaria a cabeça e o peito junto com os copos.
domingo, março 08, 2009
Músicas com que cresci (vol.1)
A ordem pela qual vou postar estas músicas da minha vida é perfeitamente aleatória.
Gosto da maneira como este The Universal "cresce" até ao refrão-hino. E do tom irónico-trágico. É a minha cara, não acham? :)
Gosto da maneira como este The Universal "cresce" até ao refrão-hino. E do tom irónico-trágico. É a minha cara, não acham? :)
sexta-feira, março 06, 2009
Animal selvagem
Onda gigante engole português no mar da Corunha
Segundo as autoridades do Centro Marítimo de Finisterra será “impossível encontrar vivo” o operário português que foi hoje engolido pelo mar no porto galego de Mapilco. O filho foi igualmente arrastado mas conseguiu sair sozinho da água.
O acidente ocorreu na manhã de hoje, quando os dois operários, pai e filho, trabalhavam numa confragem no porto de Malpica. Uma onda gigante arrastou os dois homens e apenas o mais novo conseguiu salvar-se com algumas contusões e sintomas de hipotermia. O pai, ainda que tenha sido avistado pelas equipas de resgate, foi engolido pelas ondas.
A Cruz Vermelha e a Protecção Civil prosseguem as buscas, mas não acreditam que vão conseguir resgatar o corpo até ao final do dia. A costa litoral galega está em alerta laranja por causa do mau tempo. No mar, as ondas atingem os sete metros.
Os dois operários trabalhavam para a empresa Bardera Obras Civiles y Marítimas. Segundo os responsáveis, os empregados estavam autorizados a retirar-se do local se as condições do mar se agravassem e tal estava previsto a partir do final da tarde de hoje.
in pt/MSN.com
Segundo as autoridades do Centro Marítimo de Finisterra será “impossível encontrar vivo” o operário português que foi hoje engolido pelo mar no porto galego de Mapilco. O filho foi igualmente arrastado mas conseguiu sair sozinho da água.
O acidente ocorreu na manhã de hoje, quando os dois operários, pai e filho, trabalhavam numa confragem no porto de Malpica. Uma onda gigante arrastou os dois homens e apenas o mais novo conseguiu salvar-se com algumas contusões e sintomas de hipotermia. O pai, ainda que tenha sido avistado pelas equipas de resgate, foi engolido pelas ondas.
A Cruz Vermelha e a Protecção Civil prosseguem as buscas, mas não acreditam que vão conseguir resgatar o corpo até ao final do dia. A costa litoral galega está em alerta laranja por causa do mau tempo. No mar, as ondas atingem os sete metros.
Os dois operários trabalhavam para a empresa Bardera Obras Civiles y Marítimas. Segundo os responsáveis, os empregados estavam autorizados a retirar-se do local se as condições do mar se agravassem e tal estava previsto a partir do final da tarde de hoje.
in pt/MSN.com
segunda-feira, março 02, 2009
Depois da noite mal dormida
Depois da noite mal dormida, cansado de perseguir o sono fugidio, vou tapar-me com um cobertor frio e salgado e deixar o calor do corpo subir e sair pelos poros.
Depois da noite mal dormida, vou entregar-me ao abraço forte e bruto do nosso pai, deixar os braços e as pernas e a carne e o sangue falarem por mim.
Depois da noite mal dormida, vou sonhar acordado com um mundo mais simples e líquido. Em que o selvagem frenesim é substituído pela honesta velocidade.
Depois da noite mal dormida, dos sonhos amargos debaixo da língua, vou lavar a boca com sal marinho, o suor de Deus e o sangue dos anjos.
Depois da noite mal dormida, vou acordar.
Depois da noite mal dormida, vou entregar-me ao abraço forte e bruto do nosso pai, deixar os braços e as pernas e a carne e o sangue falarem por mim.
Depois da noite mal dormida, vou sonhar acordado com um mundo mais simples e líquido. Em que o selvagem frenesim é substituído pela honesta velocidade.
Depois da noite mal dormida, dos sonhos amargos debaixo da língua, vou lavar a boca com sal marinho, o suor de Deus e o sangue dos anjos.
Depois da noite mal dormida, vou acordar.
domingo, março 01, 2009
sexta-feira, fevereiro 27, 2009
Em memória de outros dias
Porque tenho pensado muito em dias mais inocentes e no seu fim, aqui fica alguém que canta a morte da inocência muito melhor do que eu...
quinta-feira, fevereiro 26, 2009
God is a trickster
terça-feira, fevereiro 24, 2009
Indecente
Pornografia: 1. representação de elementos de cariz sexual explícito, sobretudo quando considerados obscenos, em textos, fotografias, publicações, filmes, ou outros suportes
2. produção de filmes, revistas ou outros elementos de cariz sexual explícito, considerada como uma indústria
in "Dicionário da Língua Portuguesa" da Porto Editora
Como havemos de descrever um país em que a cultura é tida como obscena? Em que a arte é confundida com pornografia? Em que a polícia apreende livros, talvez para os queimar como os bombeiros de Fahrenheit 451, de Ray Bradbury...
O quadro "Origem do Mundo", reproduzido na capa do livro "pornocracia", ontem apreendido pela PSP de Braga, está patente nessa sede de pornografia mundialmente conhecida, o museu D'Orsay. Uma casa de vício e porcaria que se ergue em Paris, essa Sodoma moderna.
Aparentemente, o argumento que levou à retirada do livro foi o de que a obra estava exposta numa feira do livro, na qual, imagine-se, havia crianças. Pobres crianças, expostas àquelas coxas nuas e aquele sexo cabeludo e nojento. As pobrezinhas que há tão pouco tempo foram de lá cuspidas no meio de sangue e líquido amniótico e dor e lágrimas e esperança.
Pornografia. Sexo. Amor. Arte.
Merda de país e a sua obscenidade. Obscenos são vocês anti-despenalização do aborto, anti-casamento homossexual, anti-adopção por casais do mesmo sexo, anti-eutanásia, anti-sexo, anti-tudo.
Viva a pornografia nas paredes dos museus.
PS: Fica aqui a "Origem do Mundo". Agora prendam-me. Estarei em casa. Nú.
quinta-feira, fevereiro 05, 2009
Dias de chuva
Estou farto de chuva. A rotina nos primeiros 15 dias consista em levantar-me, arrastar-me para o computador, ver as previsões. Excepto nos dias em que ouvia chover tanto que me virava para o outro lado e dormia. A partir do 20º dia, nem me levantava. Ja tinha visto as previsões na véspera e eram daquelas que não deixavam margem para dúvidas: não surfas. Ou pior, não surfas esta semana nem te sei dizer quando voltarás a apanhar uma onda.
Mas existe uma razão para tudo. A vida de um ser humano é tão curta que tudo acaba, forçosamente, por encaixar. Acredito cada vez mais nisto.
É certo que a chuva me estragou o acto de apanhar ondas, para já, mas não o acto de surfar. Porque surfar é, na sua essência, explorar o meio, colocares-te no local exacto no timing preciso e aproveitar algo que te transcende mas que ganha novo significado contigo.
Foi o que fiz.
A intranquilidade e a fome acordaram-me. Despertaram-me de uma letargia em que estava mergulhado há meses. Não, há anos.
Fez-me procurar algo maior que eu e...atirar-me.
Porque uma onda que passa vazia é uma oportunidade desperdiçada. Mas uma onda que se aproveita e se explora transforma-se em algo mais: é surf.
É vida.
E a minha vai começar novos capítulos.
Em breve...
sábado, janeiro 31, 2009
quarta-feira, janeiro 28, 2009
sexta-feira, janeiro 23, 2009
Sede
Ontem deitei-me tarde. Às 4 da manhã. Nada que não faça parte de uma rotina antiga, afinal, sou e serei sempre um animal nocturno. Mas desde há algum tempo já, tornou-se pouco habitual. Ao ponto de os meus hábitos noctívagos não serem agora mais do que uma irritante insónia.
Não conseguia dormir. Passei um par de horas a vaguear na net e no Itunes à procura de algo, de uma música. De um som que me fizesse sentir algo de que estava a precisar. Algo indefinido. Até que percebi. Não ia encontrar ali o que preciso. O que preciso é de água.
A música de que sinto falta é o rugir do animal, a forma como anuncia a sua presença quando ainda estamos na face errada da última duna, subindo ao topo para olhar para o seu terrível focinho. Sinto falta do mar.
Não há som como aquele. É uma trovoada que vai e vem como música, com um ritmo vivo, sanguíneo. E depois, tenho falta de tudo o resto. Do vento, da luz. Porque ali são diferentes. Ali, onde o vosso mundo acaba e o mundo d'Ele começa.
Sinto falta do sal na pele, da areia no cabelo, do arrepio da água que entra em fio pelas brechas do fato quando furas uma onda com o corpo. É uma carícia fria como a morte mas que te faz sentir mais vivo. Porque só assim sentes o calor do teu corpo, só assim ganhas consciência do que és. Do teu contorno.
Sinto falta da velocidade.
Sinto falta do som que se ouve quando deslizas na parede de uma onda.
Sinto falta de a ver empinar-se à minha frente como uma coisa viva, que ameaça fechar-te a passagem, envolver-te.
Que ameaça envolver-te? Que promete envolver-te, para depois deixar-te escapar por entre os seus dedos espumosos.
Sinto falta de ver as gaivotas passarem em voo rasante ao meu lado, como se quisessem brincar comigo ou contar-me o seu segredo.
Sinto falta de ter medo.
Sinto falta de ultrapassar o medo e sentir-me, porra, nem que seja por um segundo, parte daquele magnífico animal frio e líquido e verde e azul e branco e cinzento e castanho e negro.
Sinto falta de ser atirado pelo ar como se fosse um brinquedo com que aquela criança-gigante se diverte.
Sinto falta do silêncio borbulhante e do vazio.
Sinto falta de respirar. De sair debaixo daquele abraço pesado e sair para respirar. Sair disparado das entranhas húmidas e respirar. Como se fosse a primeira vez. Como se nascesse.
Sinto falta de pisar terra firme. Exausto.
Sinto falta de olhar para trás e despedir-me com os olhos. E de receber um beijo de sol, abrasador, ou frio e tímido, conforme a estação.
Sinto falta do banho quente que me devolve a vida quando regresso ao vosso mundo. Ao meu mundo.
Sinto falta de ter mais sal no corpo do que nos olhos. Não posso chorar um mar. Já há anos que não consigo chorar nem um fio. O meu mar cá dentro secou.
Tenho sede.
Não conseguia dormir. Passei um par de horas a vaguear na net e no Itunes à procura de algo, de uma música. De um som que me fizesse sentir algo de que estava a precisar. Algo indefinido. Até que percebi. Não ia encontrar ali o que preciso. O que preciso é de água.
A música de que sinto falta é o rugir do animal, a forma como anuncia a sua presença quando ainda estamos na face errada da última duna, subindo ao topo para olhar para o seu terrível focinho. Sinto falta do mar.
Não há som como aquele. É uma trovoada que vai e vem como música, com um ritmo vivo, sanguíneo. E depois, tenho falta de tudo o resto. Do vento, da luz. Porque ali são diferentes. Ali, onde o vosso mundo acaba e o mundo d'Ele começa.
Sinto falta do sal na pele, da areia no cabelo, do arrepio da água que entra em fio pelas brechas do fato quando furas uma onda com o corpo. É uma carícia fria como a morte mas que te faz sentir mais vivo. Porque só assim sentes o calor do teu corpo, só assim ganhas consciência do que és. Do teu contorno.
Sinto falta da velocidade.
Sinto falta do som que se ouve quando deslizas na parede de uma onda.
Sinto falta de a ver empinar-se à minha frente como uma coisa viva, que ameaça fechar-te a passagem, envolver-te.
Que ameaça envolver-te? Que promete envolver-te, para depois deixar-te escapar por entre os seus dedos espumosos.
Sinto falta de ver as gaivotas passarem em voo rasante ao meu lado, como se quisessem brincar comigo ou contar-me o seu segredo.
Sinto falta de ter medo.
Sinto falta de ultrapassar o medo e sentir-me, porra, nem que seja por um segundo, parte daquele magnífico animal frio e líquido e verde e azul e branco e cinzento e castanho e negro.
Sinto falta de ser atirado pelo ar como se fosse um brinquedo com que aquela criança-gigante se diverte.
Sinto falta do silêncio borbulhante e do vazio.
Sinto falta de respirar. De sair debaixo daquele abraço pesado e sair para respirar. Sair disparado das entranhas húmidas e respirar. Como se fosse a primeira vez. Como se nascesse.
Sinto falta de pisar terra firme. Exausto.
Sinto falta de olhar para trás e despedir-me com os olhos. E de receber um beijo de sol, abrasador, ou frio e tímido, conforme a estação.
Sinto falta do banho quente que me devolve a vida quando regresso ao vosso mundo. Ao meu mundo.
Sinto falta de ter mais sal no corpo do que nos olhos. Não posso chorar um mar. Já há anos que não consigo chorar nem um fio. O meu mar cá dentro secou.
Tenho sede.
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