segunda-feira, janeiro 05, 2009
terça-feira, dezembro 30, 2008
Outros natais
O Natal é, desde há muitos anos, uma coisa triste para mim. Muito antes de ter perdido o meu irmão, o Natal já não era aquelas coisas. Quanto ao ano novo, idem. Nunca fui daqueles que pensa que só porque se muda um algarismo no calendário as coisas mudarão drasticamente. Já aprendi que as mudanças vêm de dentro e são ditadas por outros calendários, os do desejo, do sacrifício, ou do puro acaso.
Não que eu escape à habitual depressão da temporada mas, felizmente, este ano tem sido mais moderada. Afinal, a minha vida mudou muito nas últimas mudanças de algarismo.
Ainda assim, há nestas alturas a tentação de fazer balanços e fazer promessas.
Vou resistir o melhor que sei a um e a outro. Certezas só tenho uma: estou mais duro. Como se diz num blogue aqui ao lado, noutro contexto diferente, estou a ganhar Fundo de Pedra.
sábado, dezembro 13, 2008
quinta-feira, dezembro 11, 2008
Of light and darkness
Quando comecei este caleidoscópio da minha esquizofrenia, às vezes pesudo-literária, outras vezes apenas literal excremento, não precisei pensar muito no título: Luce Vers Tenebrae; Luzes e Trevas.
Não tem nada a ver com uma visão maniqueísta da vida, não, os 16 anos já passaram há muito e creio que mesmo nessa idade já via as coisas de forma mais complacente. Era uma criança velha que todos os anos parece ficar mais maravilhosamente imatura mas com a noção ue mais do que preto e branco, o mundo é pintado em infinitos matizes de cinza.
Não, este título tem mais a ver, fundamentalmente, com uma certa tendência maníaco-depressiva que sempre me caracterizou. De facto, parece que as desordens bipolares estao na moda. Um amigo meu teve esse diagnóstico há algum tempo e um dos meus bodyboarders favoritos sofre da mesma condição por isso até era adequado...
Mas quem me conhece sabe que há razões para pensar nisto. Antigamente pensava que os acessos de depressão se justificavam com os problemas familiares, com o crescimento, com a escola, o trabalho...
A verdade é que todos esses ficaram para trás e continuo sujeito a a reacções depressivas desproporcionadas. Por outro lado, há alturas em que entro num frenesim eufórico até ao ponto do aborrecimento. O que não seria mau se não fossem episódios seguidos por "ressacas" de tristeza e profunda insegurança.
Não estou a dizer que sofro de desordem bipolar, não, bolas. Falei em tendência. No máximo, um ligeiro desequilíbrio.
Mas, também, como costumava dizer mais frequentemente aqui há já uns bons anos: "Não conheço ninguém completamente normal e ainda bem, porque se existir gente normal devem ser cá uns chatos..."
segunda-feira, dezembro 01, 2008
Se eu pudesse...
"Se eu pudesse voltar à juventude, cometeria todos aqueles erros de novo. Só que mais cedo."
(Tallulah Bankhead)
BOOM/NMDtv Ep 2.05 Super Groms from Waldron Bros Production on Vimeo.
(Tallulah Bankhead)
BOOM/NMDtv Ep 2.05 Super Groms from Waldron Bros Production on Vimeo.
sábado, novembro 29, 2008
sexta-feira, novembro 28, 2008
I am a Rock
Começa assim o tema com o mesmo nome da autoria de Simon and Garfunkel.
As 10 anos, quando comecei a preparatória, não podia ser esse o meu lema. Era jovem e ainda não era rocha, era lava: quente, borbulhante sangue da terra. Nessa altura, o segundo verso seria mais apropriado: "I am an Island".
Porque foi mais ou menos assim que me descrevi quando me pediram, num qualquer teste vocacional ou psicotécnico, que descrevesse o que gostaria para o meu futuro. Aos 10 anos, algumas linhas depois de anunciar que ambicionava ser paleontólogo ou arqueólogo, expliquei que gostaria de viver numa ilha deserta.
Não é de admirar que a preocupada directora de turma tenha vindo falar comigo. Lembro-me disto como a primeira vez em que, olhando para aquele papel, tive de olhar também para dentro de mim e materializar o que queria, ou quem eu era.
Não, não era uma rocha, nem tão pouco uma ilha. Mas queria sê-lo. E ao mesmo tempo, queria sair da solidão em que me tinham encerrado, em que eu me tinha encerrado. Vivia num paradoxo entre querer estar sozinho e, ao mesmo tempo, querer, precisar, desesperadamente, ser amado.
Queria ser uma rocha ou uma ilha porque, como conclui Paul Simon nos últimos versos da canção, "and a rock feels no pain, and an island never cries."
Neste momento, estou a escrever estas linhas e acabar de beber o meu café. A seguir parto para Peniche para gastar algumas horas de luz da minha folga a surfar antes que chegue o maremoto que ameaça atingir a nossa costa este fim-de-semana.
As horas antes da tempestade. Às vezes parece que sempre estou à espera de uma tempestade. Para a enfrentar. Como uma rocha.
As 10 anos, quando comecei a preparatória, não podia ser esse o meu lema. Era jovem e ainda não era rocha, era lava: quente, borbulhante sangue da terra. Nessa altura, o segundo verso seria mais apropriado: "I am an Island".
Porque foi mais ou menos assim que me descrevi quando me pediram, num qualquer teste vocacional ou psicotécnico, que descrevesse o que gostaria para o meu futuro. Aos 10 anos, algumas linhas depois de anunciar que ambicionava ser paleontólogo ou arqueólogo, expliquei que gostaria de viver numa ilha deserta.
Não é de admirar que a preocupada directora de turma tenha vindo falar comigo. Lembro-me disto como a primeira vez em que, olhando para aquele papel, tive de olhar também para dentro de mim e materializar o que queria, ou quem eu era.
Não, não era uma rocha, nem tão pouco uma ilha. Mas queria sê-lo. E ao mesmo tempo, queria sair da solidão em que me tinham encerrado, em que eu me tinha encerrado. Vivia num paradoxo entre querer estar sozinho e, ao mesmo tempo, querer, precisar, desesperadamente, ser amado.
Queria ser uma rocha ou uma ilha porque, como conclui Paul Simon nos últimos versos da canção, "and a rock feels no pain, and an island never cries."
Neste momento, estou a escrever estas linhas e acabar de beber o meu café. A seguir parto para Peniche para gastar algumas horas de luz da minha folga a surfar antes que chegue o maremoto que ameaça atingir a nossa costa este fim-de-semana.
As horas antes da tempestade. Às vezes parece que sempre estou à espera de uma tempestade. Para a enfrentar. Como uma rocha.
quarta-feira, novembro 26, 2008
terça-feira, novembro 18, 2008
sábado, novembro 15, 2008
É mais ou menos isto, mas muito mais do que isto
Roubei este anúncio ao blog "Ondas" porque, antes de mais nada, é um anúncio brilhante, e depois porque traduz...um bocadinho, o que se sente.
sexta-feira, novembro 14, 2008
Sol de inverno
Para afugentar a incerteza e a depressão, nada como a luz e o calor deste sol de inverno.
quarta-feira, novembro 05, 2008
terça-feira, novembro 04, 2008
Esperança
Obama pode ser bom de mais para ser verdade. Parte de mim desconfia, é certo. Mas o que ele representa não é dúbio nem falso. A esperança pode ser defraudada mas isso não é motivo para desistir da esperança. Porque o que resta é o desespero.
Há 8 anos dei por mim a tentar explicar a pessoas que não tinham a mínima noção do impacto que as eleições nos EUA têm nas nossas vidas, que "aquele nazi" não podia ganhar. Que caso isso acontecesse, não tinha sequer noção das consequências.
O gajo ganhou e se, nalguns aspectos, as consequências não foram tão desastrosas...bem, pensando bem, ate foram, só que de maneira diferente. O mundo mudou muito em 8 anos, mas numa coisa eu não me enganei: "aquele nazi" (devia ter dito "aquele imbecil") não devia ter ganho.
Esperemos que agora eu ainda esteja a torcer pelo lado certo (eu acredito que sim) e que ele ganhe.
Porque eu acredito.
Há 8 anos dei por mim a tentar explicar a pessoas que não tinham a mínima noção do impacto que as eleições nos EUA têm nas nossas vidas, que "aquele nazi" não podia ganhar. Que caso isso acontecesse, não tinha sequer noção das consequências.
O gajo ganhou e se, nalguns aspectos, as consequências não foram tão desastrosas...bem, pensando bem, ate foram, só que de maneira diferente. O mundo mudou muito em 8 anos, mas numa coisa eu não me enganei: "aquele nazi" (devia ter dito "aquele imbecil") não devia ter ganho.
Esperemos que agora eu ainda esteja a torcer pelo lado certo (eu acredito que sim) e que ele ganhe.
Porque eu acredito.
segunda-feira, novembro 03, 2008
terça-feira, outubro 28, 2008
Imposto

O post anterior foi estranhamente premonitório. Depois do cagaço que apanhei ao ver-me sozinho num mar além dos meus limites, eis que voltei ao local do crime e percebi, dolorosamente, que o problema não eram os meus limites mas uma má conjugação de factores: uma maré demasiado cheia para fazer umas ondas decentes, o primeiro dia de um swell invernoso e a inquietação culpada de estar a violar uma regra básica dos desportos de mar: "Não entrarás na água sozinho".
Depois de alguns dias a entrar nesse mesmo "spot" com companhia (de amigos e, não só, já que no fim-de-semana vi muito mais gente do que seria desejável..) eis que aconteceu um dia memorável: arranquei um par de manobras com as quais ando a lutar há algum tempo, e embora ainda não saiam fluidas e nem sequer sempre saiam quando quero, desta vez, saíram.
Mas, uma coisa que aprendemos desde cedo é que tudo tem um preço ou, como dizem os outros, "there is no such thing as a free lunch". A maré encheu muito, os fundos naquela praia estavam a fazer um quebra-coco violento e eis que, tentando terminar uma onda demasiado perto da areia... bem, digamos que a minha cabeça se ia abrindo como um melão. Hoje estou com a cara mais inchada e negra do que a foto que acompanha este post documenta, dói-me o pescoço e as costas que é uma coisa parva, mas sabem que mais? O Inverno está aí e eu já passei para o outro lado do medo: estou preparado. Basta apenas dar um pouco de sangue ao mar. Chamemos-lhe imposto.
Subscrever:
Mensagens (Atom)