quinta-feira, agosto 21, 2008
terça-feira, agosto 19, 2008
E já agora...



Voltando à vaca fria e em resposta à minha amiga Paula, ok, o que é que está errado aqui? Ou melhor, o que interessa mais? A maior atleta portuguesa desde Rosa Mota, que, DE FACTO, ganhou uma medalha de prata, ou o jogador argentino que o Real Madrid segue (gargalhada) e que PODERÁ ganhar uma medalha?
segunda-feira, agosto 18, 2008
...e a flor
A diferença horária e a reacção, surpreendente admito, do jornal DESPORTIVO O Jogo, lembrou-me que no meio do estrume há flores. E, já agora, deu a resposta perfeita a quem me perguntou ontem se:
1) Estava maluco e achava que a Bola ou o Jogo iriam fazer manchete com o Phelps
2) Se tinha apanhado demasiado sol na cabeça
1) Estava maluco e achava que a Bola ou o Jogo iriam fazer manchete com o Phelps
2) Se tinha apanhado demasiado sol na cabeça
domingo, agosto 17, 2008
Estrume
No dia em que Bolt esmaga o recorde mundial dos 100 metros, Phelps arrecada a oitava medalha de ouro, tornando-se o atleta mais medalhado desde que Coubertin pensou os Jogos Olímpicos e, já agora, o vice-campeão olímpico Francis Obikwelu pendura as sapatilhas, os "desportivos" portugueses destacam um tal de Djaló.
Merda de país é este que merece tal esterco de imprensa!
Merda de país é este que merece tal esterco de imprensa!
sábado, agosto 16, 2008
segunda-feira, agosto 11, 2008
quarta-feira, agosto 06, 2008
sábado, agosto 02, 2008
Definições
Dizem que quando morremos, ou pensamos que "é desta", a nossa vida passa diante dos olhos. Já não sei se é bem assim. Um dia destes, pensei "é desta", cortesia de três vagalhões consecutivos na Praia Grande. Eu adoro surfar, mas um dos "clichés" dos desportos de ondas diz que "to enjoy the ultimate ride, you must be willing to pay the ultimate price". Como confio que os meus leitores sabem inglês, não me vou dar ao trabalho de traduzir...
Ok, é uma daquelas frases de macho, uma compensação de homem das cavernas que já não tem a vida em risco todos os dias por constar na ementa de uma fera qualquer. Mas o facto é que esta frase, apesar de digna de um "cabeça de wax", tem a sua verdade. E essa verdade é que viver é perigoso, e quanto mais se vive, mais e maiores perigos se correm. E eu vivo. Cada vez mais.
Mas divago. Na verdade, naquela manhã invernosa na Praia Grande, não consegui isolar nenhum momento. Daqueles que nos definem. Que nos moldam. Mas eles existem.
Então, agora, apetece-me fazer uma contabilidade da alma. Que momentos me definem. Que momentos fizeram de mim o que sou hoje? Será que podemos ser reduzidos a isto, a uma miríade de momentos, como quadradinhos de um cubo mágico que, de alguma forma, quando alinhados na ordem correcta, nos ilustram na perfeição?
Mas que quadrados, que momentos, são os meus?
Alguns são óbvios: nascimentos, mortes. E não só no sentido literal. Há muita coisa que, sem o parecer, é um nascimento ou uma morte. Um princípio e um fim. Tudo no planeta é isso mesmo: princípio, fim...e o que está entre eles.
No meu caso, as mortes são muito mais literais do que gostaria. Porque perdi demasiados entes queridos. Bem, só um seria "demasiados", mas foram mais. Isso define-me como um ser triste? Às vezes.
Afinal, não esqueço aquele dia de Agosto em que estava a chegar de táxi a casa, cansado mas feliz e orgulhoso de ter trabalhado 28 dias consecutivos sem folgas. Afinal, estava a recibos verdes, doido para ser contratado, e o facto de precisarem tanto de mim fazia-me sentir importante. Ali estava a nascer qualquer coisa. E logo a seguir, a morrer. Tinha havido um acidente. Uma mota. O meu irmão.
Essa noire marcou outro nascimento, o meu segundo. Acho que ali, na rua, sem perceber, como em qualquer parto, chorei alto, para Deus ouvir: eu estava vivo. Pelos dois.
Seria bonito dizer que fui sempre fiel a essa promessa. Mentiria. Aprendi depressa que tal missão tem o seu preço.
Paguei-o com prazer naquele que, para o bem e para o mal, foi o beijo da minha vida. Era noite, chovia, estávamos numa estação de comboio e ela não era minha. Nunca seria. Mas, aquele momento, aquele beijo, o desespero, a fome, a tristeza, o amor (meu, pelo menos)...
Enfim, mais tarde percebi que era um...equívoco talvez seja a maneira mais generosa de o rotular. Mas, ainda assim, se ao morrer pudesse escolher os momentos para evocar, este seria um deles. Porque estava vivo como poucas vezes estive e, se calhar, estarei.
Mas, repito, foi um "equívoco", um desperdício da força que tinha descoberto em mim: a ousadia de sentir e a coragem de agir consoante.
E houve outros, claro que sim. Tristes, trágicos, cómicos. Outros ainda, tragicómicos (os meus preferidos, confesso), outros ainda, simplesmente belos.
Enumerá-los seria difícil. Neste momento lembro-me de alguns exemplos: dos trágicos, a morte do meu irmão; tristes, olhar para o meu pai deitado naquela urna e pensar que ele parecia estranhamente mais baixo, como se lhe tivessem tirado um bocado...
O tragicómicos, (esta é fácil), a primeira vez que tive sexo. E o dia seguinte: a confusão, a desilusão, o vazio de quem nada sentiu de arrebatador. Mas não matou o meu romantismo, não. Isso veio muitos anos mais tarde.
Os belos: as gargalhadas do meu irmão quando éramos pequenos e eu lhe fazia cócegas, o primeiro beijo, a primeira vez que o meu nome saiu no jornal, a primeira reportagem como enviado especial, a primeira vez que vi Paris e Roma, a primeira onda, os pores do sol no mar. É estúpido como os momentos maus surgem de chofre enquanto os bons temos que pensar e seleccionar. Demorei aí uns 15 minutos a escolher estes. É como se tivessemos de pedir desculpa por sermos felizes.
Serei um pessimista? Não. Acredito sinceramente que não. Se não, não teria sobrevivido. Não, não estou a ser melodramatico. Apesar de ter uma certa queda para isso. Herdei da minha mãe, acho. Ah, e do meu pai. Eles eram demasiado parecidos. Demasiado.
Mas estou a alongar-me. Deve ser vontade de escrever o tal livro que, um dia, quero parir. Pois, parir é o verbo. Não porque ache que tem de ser com dor, mas porque acho que deve ser com amor. E porque tudo na vida nasce e morre. Mas isso é incontornável. O que se passa pelo meio é que nos define. Chama-se viver. E eu quero.
quarta-feira, julho 23, 2008
Luxos
Perder. Ora aí está um verbo que todos conhecemos. Uns mais do que outros, mas todos sem excepção. Porque perdemos sempre mais do que ganhamos e porque ganhar implica, a prazo, que vamos perder.
Nos últimos dois dias tenho andado a pensar em perdas. Não só nas minhas, para variar, mas nas de um amigo-irmão.
Colocando a coisa de forma mais factual: o pai desse meu amigo anunciou-lhe que ia vender a casa de férias da família. De facto, não parece uma tragédia, pois não? Pois, mas apenas os míopes e os mancos se ficam pelos factos.
A "casa de férias" a que o meu amigo (que sofre de um infeliz complexo de esquerda anti-materialista, desculpável pois ainda é jovem), se refere de quando em quando como "um luxo" é também o seu assumido refúgio.
Não fica num desses locais de férias balneares da moda. Não, a água é fria, o mar é bravo, o clima ventoso e o local não tem hóteis de luxo e o jet-set anda em barcos de pesca ou pedaços de fibra e esponja em cima das ondas.
Mas é por isso mesmo que é o seu refúgio. Porque é um sítio pequeno encravado num local onde tudo é grande. A começar pelo mar. O mar está em todo o lado. Nas escarpas da terra e da alma das gentes, duras e generosas ao mesmo tempo.
O meu amigo cresceu ali. E ele sabe disso. É ali que respira, que é. Que se permite baixar a guarda e realmente Ser.
E querem tirar-lhe isso. E ele está a sofrer. E apesar disso, às vezes, diz que vai perder "um luxo", e di-lo com o tal complexo esquerdista anti-materialista.
É parvo.
Porque o luxo é viver. Sem luxo, não se vive, sobrevive-se.
quarta-feira, julho 16, 2008
Como Hilgenbrinck
Como quem?...
Hilgenbrinck. O nome é complicado mas a história simples. Chase Hilgenbrinck é um futebolista norte-americano (futebolista de "soccer" como dizem os seus compatriotas), que pendurou as botas para envergar a batina. Sim, a de padre.
Uma história que me fez ressoar ecos antigos. Também eu, em tenpos, pensei em ir servir o Senhor. Sim, agora dá-me vontade de rir e a quem me conhece bem também deve fazer umas cócegas intelectuais. Mas nem tanto assim...
Fui um puto sensível e introvertido. Solitário e aflito ao ponto de me virar para algo que me transcendesse, a mim e à cortante realidade que me magoava todos os dias. O alcoolismo, as drogas, a violência, a mentira e a morte. Conheci-os a todos demasiado cedo e não queria acreditar que a vida se resumisse a isto. Tinha esperança.
Não sei onde é que ouvi falar de Deus pela primeira vez, se nos livros, se através da minha avó Deolinda, alentejana analfabeta, crente até à beatice mas generosa como ninguém. Foi ela que me ensinou a rezar todas as noites antes de dormir, hábito que me acompanha até hoje. Não sei porquê, mas faz sentido pedir a protecção dos que nos são queridos antes de dormir.
Pois, com tudo isto, lembro-me que, a dada altura, num acesso de poesia trágica (outro tique que me acompanha até hoje mas, felizmente, cada vez mais raro) cheguei a pensar em ir para padre. Tinha para aí 10 anos e ainda não percebia o que estava a perder. Não que a fome pelo sexo oposto ainda não estivesse lá, mas estava difusa e pouco focada. Pensava que era algo que não me incomodaria muito, afinal, até à preparatória tinha tido pouco ou nenhum contacto com raparigas da minha idade e não estava a ver o que ia perder.
Felizmente, acordei a tempo e percebi que o meu caminho não seria esse. Desde aí, a minha religiosidade não diminuiu, nem mesmo naquele dia em que, justificadamente, poderia ter pensado que Ele não existia. Se calhar até pensei, mas como não me lembro de muita coisa desse dia e de alguns que lhe sucederam...
Não diminuiu mas transformou-se. Inexoravelmente. Hoje olho para a Igreja católica como olhava para os regimes comunistas: como um grande dinossauro branco e dourado. Inútil e ultrapassada. Mas a minha religiosidade nunca foi formal; contam-se pelos dedos de uma mão as vezes que entrei numa Igreja. E quase nunca à procura Dele. Não, isso eu encontrava mais facilmente no escuro. Aquela ausência de luz que se infiltrava na minha meninice e adolescência. Mas era uma experiência íntima, familiar, de filho para o pai que, na prática, não tinha. Deus era o cúmplice e o amigo que me amparava e ajudava no meio daquilo tudo.
Sim, continuo religioso. Acredito na transcendência, mas não a procuro nos tijolos do Vaticano nem em qualquer outro templo. Nem sequer nas ondas que, para mim, são de uma arquitectura superior. Procuro em todo o lado. Dentro e fora de mim. Quando rezo por aqueles que amo.
Não, não dava para padre. Tenho um coração diferente.
segunda-feira, julho 07, 2008
segunda-feira, junho 09, 2008
terça-feira, maio 27, 2008
A criança
segunda-feira, maio 26, 2008
Saudades do Inverno
Um dia para recordar. Sobretudo nos dias de ondas marrecas na água e falta de coragem fora dela
domingo, maio 25, 2008
Combater o stress
quinta-feira, maio 22, 2008
quarta-feira, maio 21, 2008
Genial
A querida C. chamou-me a atenção para este pedaço de genialidade. Peço desculpa a quem não sabe ler inglês, mas confio nos meus leitores.
'Next Life' by Woody Allen
In my next life I want to live my life backwards. You Start out dead and get that
out of the way. Then you wake up in an old people's home feeling better every day.
You get kicked out for being too healthy, go collect your pension, and then when you
start work, you get a gold watch and a party on your first day. You work for 40
years until you're young enough to enjoy your retirement. You party, drink alcohol,
and are generally promiscuous, then you are ready for high school. You then go to
primary school, you become a kid, you play. You have no responsibilities, you become
a baby until you are born. And then you spend your last 9 months floating in
luxurious spa like conditions with central heating and room service on tap, larger
quarters every day and then Voila! You finish off as an orgasm! I rest my case.
sábado, maio 17, 2008
Revoluç(ões)
Às vezes, na vida, é preciso ir pelo caminho menos percorrido. Para o bem e para o mal, acho que não sei fazer as coisas de outra maneira...
Mas hoje quero celebrar a diferença. E faço-o através de um símbolo de diferença por excelência: com o meu novo MAC. É verdade, ao cabo de não sei quantos anos às cabeçadas com os produtos do senhor Bill Gates, resolvi, finalmente, dar uma hipótese à concorrência. Lá está, o caminho menos percorrido. E sabem que mais? Grande jogada. O sistema operativo é limpinho, facílimo de manejar, a máquina é excelente, rápida e....convenhamos, não magoa a vista.
Nesta altura, o verdadeiro motivo por trás deste post já está a gozar, a dizer que admito que só comprei um Macintosh porque são bonitos. É verdade. Mas não o objecto em si, é o conceito: a simplicidade. Mais: a liberdade.
E é de liberdade que, afinal, quero falar. Hoje, o meu amigo F deu o salto. Porque nunca se sabe quem vai ler isto, o meu amigo terá de ser só "F".
O meu amigo é um puto. Sim, é bem mais novo que eu, aí uns 6 anos, se não me falham as contas... Bolas, o meu irmão, o meu puto, seria bem mais velho que ele. Caraças, como o tempo passa...
A referência ao meu mano não é descabida. Acho que o que me fez ganhar amizade tão forte e tão rápida ao meu amigo F é que ele, em tanta coisa, é muito parecido com o meu irmão. E, depois, em tantas outras, tem muito a ver comigo.
Lembro-me de quando era bem menino estar a falar com o meu irmão e, constatando o quão diferentes éramos (tão óbvio que era difícil não o perceber), lhe ter dito que se houvesse uma maneira de nos fundirmos num só ser, esse gajo seria perfeito. Ok, ok, o que querem?...é a parvoíce natural da infância.
Na verdade, era a maneira de dizer ao meu irmão que o invejava. Ele tinha a irreverência, a força e a coragem que ainda hoje estou começar a conquistar.
Soube depois, tarde de mais, que o meu irmão também retribuía a minha admiração. Ao mexer nas suas gavetas à procura de documentos para a agência funerária encontrei a primeira peça assinada no Record, dobrada em quatro, escondida como um tesouro.
Mas estou a perder demasiado tempo a falar do meu assunto favorito: eu mesmo :)
Quero falar do meu amigo F. Mas quando falo do meu irmão também estou a falar de F. Porque em F vejo o Mário. A sua irreverência explosiva, o seu senso de humor cáustico, e sobretudo a forma algo absurda que ele tem de me tentar proteger dos meus próprios erros.
Tal como o Mário, F tem a dificuldade extrema de perceber que, de alguma maneira, através da minha loucura, eu arranjo sempre maneira de me safar. Aliás, ele sabe que sou um sobrevivente.
Tal como o Mário, F também tem pouca paciência para as minhas crises existenciais, sobretudo numa altura em que fazem cada vez menos sentido.
Mas, tal como Mário, também com ele percebo a amizade que corre debaixo do fogo de artifício.
Hoje, F fez uma revolução. F está livre, abriu asas e vai voar alto. Tenho a certeza. Porque tem qualidade e uma falta de humildade própria dos heróis da pena.
Não vou cometer o erro de esperar demasiado para to dizer: tenho orgulho em chamar-te meu amigo e espero que um dia, daqui a uns anos, me deixes chamar-te irmão.
Porque, às vezes, ir pelo caminho menos percorrido faz toda a diferença.
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